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Shopping centers: passeio por um sistema complexo de construção civil

Por: Almeida França

19 de agosto de 2016

Quando alguém entra em um shopping, a preocupação às vezes é encontrar algum amigo, comprar algo, passar o tempo, comer, dentre outras possibilidades. Porém, poucos param para pensar em toda a estrutura e logística que aquele ambiente precisou passar para se tornar tão atrativo.

O mercado de construção de shopping centers ganhou impulso no crescimento principalmente a partir do ano de 2006, em que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) passou a aumentar os investimentos nesse tipo de negócio. Quase no mesmo período, ficou clara a opção por um tipo diferenciado de construção de shopping centers: os complexos multisserviços.

Esse tipo prevalece nos shoppings do Brasil, e a principal característica é a integração do conjunto de lojas com outras áreas, como hotéis, edifícios comerciais e administrativos. O objetivo principal é trazer tudo o que uma pessoa pode precisar em um só lugar. Mesmo assim, a decisão de construir um shopping vai muito além do investimento ou formato.

Um ponto principal para a construção de qualquer shopping é o estudo de viabilidade. Nele, justifica-se a necessidade de entender tudo que possa atingir o pleno funcionamento do shopping, como densidade demográfica, projeção de crescimento populacional, faixas de renda da população local, infraestrutura de transporte, energia, entre outros. No fim das contas são anos de estudos.

Todo o esforço no planejamento vale a pena. Atualmente, o setor de shopping centers no Brasil é uma exceção crise na construção civil, principalmente pelos frutos que o negócio pode gerar. Segundo a ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers), o setor de shopping está em estimativa de crescer até 6,5% no faturamento de 2016.

A projeção também aponta a construção de 34 novos centros de compra, aumentando consideravelmente o número de 538 shoppings contabilizados no Brasil até o final de 2015 e totalizando um setor que engloba quase 100 mil empregos. O presidente da ABRASCE, Glauco Humai, pontua o quanto o setor foi resistente à crise: “Passamos por um ano complicado, mas o setor mostrou bons resultados apesar de tudo”.

A grande explicação para o crescimento no setor de construção de shoppings explica-se pelo fato de esse tipo de negócio ter um legítimo poder de expansão territorial no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos existe uma média de 40 mil shoppings, no Brasil o número é de um pouco mais de 500 unidades.

Isso significa que as construções ainda podem aumentar muito, e o principal foco de atuação nesse crescimento está voltado para as cidades de médio porte. Tais cidades geralmente respondem por município com aporte habitacional entre 300 mil e 200 mil pessoas. Em geral são cidades que não têm centros comerciais, logo têm necessidade por essa demanda.

As pessoas podem até não parar muito para pensar em todas as complexidades que envolvam passeios no shopping, mas elas existem e são justificáveis pelas boas e velhas comprinhas.

 

Por Ronayre Nunes